A participação de representantes da Comunidade Quilombola de Degredo/ES na mesa “Entre contos e reescritas” reuniu representantes de diferentes comunidades tradicionais para debater os caminhos da resistência quilombola por meio da oralidade, da escrita e das expressões culturais.
Os representantes compartilharam sua trajetória de formação nas oficinas de audiovisual, destacando o impacto da linguagem cinematográfica e da produção textual como ferramentas de preservação e difusão do saber ancestral e tradicional. Durante a conversa, foi mencionado o livro “Segredos do Degredo”, publicação construída a partir das vivências e relatos dos anciãos da comunidade, resultado direto do processo coletivo de resgate da memória quilombola por meio do audiovisual.
A roda de conversa contou também com a participação de Fábio Martins e Priscila Rodrigues, com mediação de Luiza Fagundes.
A experiência evidenciou o protagonismo da juventude quilombola na transmissão dos saberes ancestrais, afirmando o audiovisual e a literatura como instrumentos de memória, autoria e resistência cultural.
Estar na FLIP Preta foi, para a ASPERQD, ocupar com dignidade um território de palavra, memória e luta – e afirmar voz, força e lugar na literatura brasileira, durante a programação realizada entre 31 de julho e 3 de agosto de 2025. Nesta edição, a associação lançou três obras que registram e celebram a ancestralidade, os saberes e a resistência quilombola: “Vozes do Degredo: Memórias Quilombolas”, “Segredos do Degredo: Entre Tradições e Memórias” e “Guardiões da Memória: Mestres e Mestras do Quilombo do Degredo”.
O lançamento dos livros integrou o projeto “Degredo em Palavras e Imagens: A Representação Quilombola na FLIP PRETA”, acolhido com muita emoção, troca e escuta na programação realizada no território do Quilombo do Campinho da Independência, em Paraty/RJ. Literatura quilombola viva, pulsante e necessária.
“Hoje, nos jovens não nos vemos como guardiões do notório saber; os guardiões são os mestres, como o Pedro do Mel. Nos somos os transmissores desse saber, aqueles que aprendem com eles e levam adiante esse conhecimento. Mostramos para o mundo o quanto os territórios quilombolas têm a ensinar. É através do audiovisual, dos livros, dos registros, que conseguimos contar a nossa própria história.”
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