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associacaodegredo.com.br Quilombo do Degredo
Linhares · ES

Início / Sobre

Sobre a ASPERQD

Mais de 20 anos de organização comunitária, defesa de direitos, formação e desenvolvimento no litoral norte do Espírito Santo — a entidade que representa oficialmente a Comunidade Remanescente de Quilombo do Degredo.

Nossa história

Uma associação que nasceu para unir esforços

A Associação dos Pescadores e Extrativistas e Remanescentes de Quilombo de Degredo — ASPERQD é uma associação civil, sem fins lucrativos ou econômicos, com sede na Comunidade Remanescente de Quilombo do Degredo, localizada no município de Linhares/ES.

Fundada em 2004 com o nome ASPED — Associação de Pescadores e Extrativistas de Degredo “Atalino Leite de Araújo”, sempre desempenhou o papel de agente mobilizador, desenvolvendo projetos que visam a melhoria socioeconômica e cultural dos membros da comunidade.

Após um intenso trabalho e muito esforço de seus membros, concretizou-se a Certificação Quilombola, publicada no Diário Oficial da União — Seção 1, em 20 de maio de 2016. No ano de 2018 ocorreu a atualização do seu estatuto, quando a associação passou a se chamar ASPERQD.

A ASPERQD é formada por membros de troncos familiares remanescentes de quilombo e demais membros da comunidade tradicional. Foi criada com várias finalidades, entre elas a congregação dos membros da comunidade para unir esforços na luta pelos objetivos e bens comuns, bem como na manutenção da identidade tradicional e na preservação dos costumes locais.

A associação contribui, ainda, para o desenvolvimento socioambiental, cultural, econômico e tecnológico de seus associados, incluindo também a promoção e a defesa dos interesses coletivos e étnicos da Comunidade Remanescente de Quilombo do Degredo.

Equipe da ASPERQD e moradores da comunidade quilombola do Degredo

Equipe da ASPERQD e moradores da comunidade quilombola do Degredo.

O rompimento da Barragem de Fundão

Em 2015, o rompimento da Barragem de Rejeitos de Fundão — pertencente à Samarco e localizada no Complexo Minerário de Germano, em Mariana/MG — ocasionou o despejo de milhões de toneladas de rejeitos na calha hídrica do Rio Doce, componente principal da Bacia Hidrográfica do Rio Doce. Os rejeitos percorreram cerca de 600 km, passando pelos rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce, até chegarem ao mar em Linhares/ES, no dia 22 de novembro daquele ano.

Sendo notórios os prejuízos ambientais, bem como o impacto negativo na qualidade da água, na biodiversidade e na manutenção do modo de vida e dos costumes locais nos territórios atingidos, a Comunidade Remanescente de Quilombo do Degredo, no litoral norte do Espírito Santo, foi altamente impactada em razão das consequências diretas e indiretas da chegada dos rejeitos pela calha do Rio Doce.

A criação de assessorias técnicas independentes para prestar assessoramento aos atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão é resultado de acordos e transações firmados no âmbito das negociações para a reparação integral dos danos causados às comunidades atingidas ao longo da bacia do Rio Doce, incluindo os povos indígenas e outros povos e comunidades tradicionais.

No processo de mobilização das comunidades atingidas para a escolha de suas assessorias técnicas, a ASPERQD foi escolhida pela comunidade de Degredo, tendo em vista o histórico elo entre a comunidade e a associação para os núcleos tradicionais familiares, propiciando a mobilização, a organização e a união na consecução de seus objetivos e interesses comuns.

A Assessoria Técnica da ASPERQD é realizada pela comunidade para a comunidade e do território para o território, relevando a importância de uma assessoria independente e expert, que valoriza as práticas e saberes tradicionais, mobilizando a comunidade de Degredo nas ações de reparação integral.

Cultura como caminho

Nessa perspectiva, a ASPERQD desenvolve diversas ações culturais e projetos comunitários voltados para o resgate e a valorização da cultura local. Por meio de iniciativas como o Novembro Negro, oficinas de Jongo voltadas ao público infantojuvenil e intercâmbios culturais entre comunidades, a associação promove o fortalecimento da identidade quilombola e a preservação de saberes ancestrais.

Durante suas atividades, a ASPERQD busca apoiar a troca de saberes entre gerações e territórios, estimular o protagonismo da juventude e das mulheres e fortalecer os vínculos comunitários. Já foram realizadas quatro edições do Novembro Negro na comunidade, consolidando esse evento como um espaço importante de expressão, memória e resistência.

Por que a ASPERQD se tornou referência

Em mais de duas décadas, a associação passou de agente mobilizador local a instituição de projeção nacional. Executou projetos de formação em direitos, geração de renda e audiovisual; publicou três livros e dois portfólios técnicos; participou da FLIP, da FLIP Preta e da FLINC; e teve suas boas práticas premiadas pela Secretaria Estadual de Direitos Humanos em 2025. Hoje, a comunidade quilombola do Degredo é reconhecida em diversos espaços graças à sua organização comunitária e ao conteúdo técnico produzido pela Assessoria Técnica Independente — a primeira e única do Brasil realizada por uma organização quilombola.

Mais do que divulgar cultura, a ASPERQD reposiciona o Quilombo do Degredo como produtor de conhecimento, referência cultural e sujeito ativo na construção de narrativas sobre sua própria história.

A associação em dados

01

Nossos princípios

O que nos move

Missão

Unir esforços na luta por direitos

Congregar os membros da Comunidade Remanescente de Quilombo do Degredo para unir esforços na luta por seus objetivos e bens comuns, promovendo e defendendo os interesses coletivos e étnicos da comunidade e contribuindo para o seu desenvolvimento socioambiental, cultural, econômico e tecnológico — com assessoria técnica feita pela própria comunidade, para a própria comunidade.

Visão

Referência nacional em assessoria quilombola

Ser reconhecida, dentro e fora do território, como referência nacional em assessoria técnica quilombola e em salvaguarda cultural — uma comunidade que não apenas é narrada, mas que produz conhecimento, escreve seus próprios livros, filma suas próprias histórias e ocupa espaços de decisão sobre a reparação integral dos danos que sofreu.

Valores

Ancestralidade, autoria e circularidade

Ancestralidade e respeito aos mestres e mestras de notório saber. Protagonismo comunitário e autoria quilombola. Independência técnica e compromisso com a reparação integral. Circularidade: o saber que vem dos mais velhos é transmitido aos mais novos. Educação antirracista e valorização da história e da cultura afro-brasileira. Preservação ambiental e defesa do território. União entre troncos familiares e fortalecimento dos vínculos comunitários.

02

Quem faz a associação

Mestres, mestras e o Coletivo do Degredo

O Portfólio de Saberes dos Mestres e Mestras do Quilombo do Degredo reúne e valoriza conhecimentos ancestrais transmitidos entre gerações. Essas lideranças culturais mantêm viva a identidade quilombola, fortalecendo a memória coletiva, o território e a luta por reconhecimento e resistência.

Nailda dos Santos de Jesus

Medicina tradicional · Jongo · Pescado e queijo

É uma guardiã dos saberes tradicionais da comunidade. Conhecedora da medicina tradicional, utiliza ervas medicinais no cuidado e bem-estar de sua família e comunidade. No Jongo, se destaca como uma grande dançarina, mantendo viva essa expressão cultural. Além disso, domina o processamento do pescado e é especialista na produção de queijo e requeijão artesanal, preservando técnicas e sabores ancestrais.

Pedro Leite Costa

“Pedro do Mel” · Griô · Mestre de Jongo · Apicultor

Conhecido como Pedro do Mel, é um griô, mestre de Jongo, pescador profissional e apicultor. Um dos fundadores da Associação dos Pescadores de Degredo, carrega consigo um vasto conhecimento sobre a cultura e a história da comunidade. Como contador de histórias, preserva e transmite saberes ancestrais, mantendo vivas as tradições quilombolas.

Silvino da Silva

Mestre folião de Reis · Cantoria e dança

É mestre folião de Reis, mantendo viva essa tradição ancestral. Compõe cantorias, conduz os participantes e ensina desde o canto até a dança, transmitindo seus conhecimentos para as novas gerações e fortalecendo a cultura da comunidade.

Zezuíto Euzébio

Mestre da pesca · Folia de Reis · Toque do tambor

É um grande mestre da pesca, que sustentou sua família com o trabalho no mar e no rio. Além de sua habilidade com a pesca e a fabricação de apetrechos, tem profundo conhecimento sobre a história e as tradições do Degredo. Suas maiores paixões sempre foram a Folia de Reis e o Jongo, destacando-se especialmente no toque do tambor, onde expressa toda a força e ancestralidade de sua cultura.

Mapeamento de notório saber

A associação realizou o Levantamento dos Mestres e Mestras de Notório Saber do Degredo, mapeamento georreferenciado assinado por Felipe Leite Soares, que localiza no território os detentores de saberes tradicionais e os pontos de referência da comunidade — do Pontal do Ipiranga à Lagoa dos Paus, passando pela Lagoa Paraju, pela Lagoa do Junco e pelos acessos ES-358, Povoação e UTGC.

Entre os mestres e mestras mapeados estão Maria do Carmo Borges, Jesuíto Euzébio, Nailda dos Santos Carapina, Luciano de Jesus Gomes (artesania) e Carlos Leite, além de saberes ligados à produção de queijo, à agroindústria e ao artesanato.

Mapa do território do Quilombo do Degredo, entre o Pontal do Ipiranga e a Lagoa dos Paus
Capa e contracapa do livro Vozes do Degredo, com a relação de autores

Autoria quilombola

Coletivo de Autores & Produtores Culturais

O Coletivo reúne os autores e produtores culturais formados nas oficinas de audiovisual e literatura da associação.

Autores do livro “Vozes do Degredo: Memórias Quilombolas”: Carlos Gomes Pinto, Felipe Leite Soares, Lucas Borges, Luiz Carlos Leite da Silva, Monielle Santana Carapina, Marijane de Jesus Leite, Ocimar Leite Comba, Paulo Borges, Pedro Leite Costa e Washington da Silva Costa. Organização: Danilo Santos da Silva.

Outros nomes: Cleia Silva Costa, mestra que conduziu as primeiras oficinas de Jongo ao lado do mestre Pedro Leite Costa; Paulo Borges dos Santos, representante do Degredo na mesa “Entre contos e reescritas”, na FLIP Preta 2025; e Simony Jesus, coordenadora geral da ATI ASPERQD.

04

Quem caminha com a gente

Parcerias que ampliam o alcance do Degredo

Produção

Kilombo Produções

Produtora de cinema fundada em 2018 por Fábio Martins, cineasta e músico nascido no Quilombo do Campinho da Independência, em Paraty/RJ. Coordenada por um quilombola, é comprometida com a autorrepresentação dos povos tradicionais e com narrativas decoloniais. Assina a produção audiovisual e editorial do Degredo.

Estado

SECULT-ES

Secretaria de Cultura do Espírito Santo — viabilizou a participação na FLIP 2025 por meio do Edital de Circulação e Intercâmbio 001/2025.

Estado

SEDH-ES

Secretaria Estadual de Direitos Humanos — concedeu o 1º Prêmio de Boas Práticas dos Povos e Comunidades Tradicionais do ES, Edição Quilombolas, por meio da Gerência de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Comunidades

Campinho e Sapê do Norte

O Quilombo do Campinho da Independência, em Paraty/RJ, parceiro no intercâmbio da FLIP Preta 2025; e as comunidades quilombolas do território do Sapê do Norte, em São Mateus e Conceição da Barra/ES, parceiras no I Encontro das Culturas Tradicionais Quilombolas.

Formação

SENAR

Serviço Nacional de Aprendizagem Rural — parceiro na oficina de beneficiamento de mel e própolis realizada na comunidade.

Território

Coletivo do Degredo

Coletivo de Autores e Produtores Culturais da Comunidade Quilombola do Degredo, parceiro na difusão da produção literária e audiovisual.